sábado, 24 de outubro de 2009

Em Liubliana me senti em casa! (11º e 12º Dias)

O trem para Liubliana saiu às 7h56 de Viena. Esqueci de comentar que quando cheguei em Viena senti a mudança da água para o vinho em relação à Polônia. Fui atendido prontamente em inglês na bilheteria e a reserva de bilhetes foi rápida e simples.

Como eu comprei um europasse que não incluía a Eslovênia, eu tinha que pagar um extra a partir da fronteira da Áustria. Nem precisei falar muito. A moça entendeu e me vendeu o bilhete extra.

Sei que tenho ligações sanguíneas com a Polônia, mas é uma pena que estejam tão atrasados. É claro que o sofrimento da guerra e o domínio soviético tem relação direta com isso... tomara que eles melhorem logo, pois o país é lindo.

Agora vamos a Liubliana.

Só pra explicar: alguns devem estar se perguntando por que incluí Liubliana nessa viagem. Bem, quem me conhece sabe que sou adepto do “slow travel”, ou seja, não gosto de fazer visitas rápidas e passar correndo pelas cidades. Mas como meu plano envolvia essencialmente Praga, um gostinho da Polônia e a minha entrada e saída seria por Milão, eu precisava incluir outras cidades em localizações estratégicas para não passar dias – ou noites – inteiros viajando de trem – o caso de Oswiecim a Viena é à parte.

Foi assim que incluí Viena e Veneza, que eu já conhecia e tinha vontade de revê-las, e, numa conversa com a amiga Nancy Marchioro, ela me falou de Liubliana. É a cidade do pai dela e é considerada uma das jóias escondidas da Europa. Ora, lugar diferente e ainda por cima em localização estratégica dentro do meu roteiro, está decidido!

Cheguei em Liubliana por volta de 14 horas. E a viagem foi linda e tranquila. As fotos de dentro do trem não ficam muito boas por causa do reflexo no vidro, mas dá pra dar uma idéia:







Ainda no trem, ao cruzar a fronteira da Áustria com Liubliana, o idioma passa a ser o esloveno. Ouvir um idioma eslavo de novo me deu certo arrepio. Mas o estranho é que agora parecia mais familiar. Depois de prestar atenção em algumas conversas concluí que a entonação que eles usam é parecida com a do português. Daí a familiaridade. Algumas palavras também parecem ser originárias do latim, tornando até compreensível em raros casos.

A estação de trem era pequena mas as placas tinham indicações em inglês. Pelo meu mapa, o hotel ficava a três quadras, não precisando de taxi. Tudo bem que, além da mochila nas costas, da mala de rodinha (não mais emperrada, felizmente), da bolsa a tira-colo, agora eu ainda tinha uma sacola com algumas comprinhas... A estação não tinha locker e de qualquer forma eu precisava dar uma arrumada na bagagem. Fui andando com tudo.

Depois de me instalar no pequeno quarto do hotel (pequeno, mas ajeitado), saí para uma caminhada. Chovia fino e constante, o que me obrigou a comprar um guarda-chuva, pois só a jaqueta não estava vencendo. Andei por uma hora, mais ou menos, e deu pra sentir um astral muito agradável, mesmo com chuva.

Até agora é a primeira cidade dessa viagem onde eu percebo a vida local. Há turistas em Liubliana, mas há também vida própria! Como é a capital do país, ela tem ares de cidade grande, sem perder o charme de vilarejo à margem do rio Liublianica.

Mas meu cansaço hoje é grande, então parei para um lanche e voltei pro hotel. Dormi cedo para aproveitar bem o dia seguinte.

Acordei cedo, tomei o café do hotel e saí caminhar. Queria logo ir ao Castelo, de onde se diz ter belas vistas da cidade. O centro histórico fica a poucas quadras do hotel e dali a poucas quadras está o acesso à colina do castelo. O centro de tudo é a famosa ponte tripla, que liga a simpática Praça Preserev com o centro histórico da outra margem do rio.




Bem, reparou que o hotel está a poucas quadras da estação, o centro histórico está a poucas quadras do hotel, o castelo está a poucas quadras do centro histórico... Liubliana é assim: tudo pode ser feito a pé, o que torna a cidade uma delícia para passear. E o dia parecia colaborar. Não chovia e ainda esboçava abrir sol.

Mas antes de chegar ao castelo, no meio do caminho havia um mercado.

Se até na minha cidade natal, que é Curitiba, eu adoro passear pelo Mercado Municipal, imagine na pequena capital da Eslovênia?

Esse mercado da cidade é uma pequena feira ao ar livre onde agricultores vendem seus produtos super-frescos, além de flores, artesanato, artigos de couro, roupas, sapatos...





Os aromas das frutas e legumes me faziam ter vontade de ficar ali o dia inteiro. Sabe aquelas barracas que dão água na boca só de ficar olhando?




Não adiantava comprar frutas e verduras... então acabei comprando uma nova bolsa tira-colo, pois a minha velhinha de tantas viagens está rasgando... foi triste me desfazer dela, mas era inevitável... espero que ela tenha uma velhice tranquila em Liubliana.

E comprei também um sapatênis por 20 Euros (!). Muito confortável, também me deixará aposentar o que eu trouxe, que está quase furando... hehe... entenderam por que nunca se leva sapato novo em viagem? Além de não correr o risco de machucar, não dá pena de deixá-lo pelo caminho...

Bem, depois disso, tive que voltar ao hotel deixar a sacola antes de ir ao castelo. Mas como eram poucas quadras... foi fácil. Na volta passei de olhos fechados pelo mercado, direto ao castelo.

É uma boa subida até chegar lá. Com o pretexto de tirar fotos da vista você pode dar umas paradinhas para recuperar o fôlego. Pra quem preferir, tem um ônibus que sobe até lá. Mas o caminho é bonito e vale a pena o esforço.

Começa subindo aqui...


Depois aqui...


...sobe mais um pouco...


...e sobe...


...sobe...


...e chega na entrada do castelo!


Diferente dos outros castelos que visitei nessa viagem, em Praga e em Krakóvia, o castelo de Liubliana é inteiramente transformado em espaço cultural. Há exposições de arte, fotografia, um teatro, enfim, é um centro de convivência local. No verão deve ser uma delícia passear por aqui e passar algum tempo sob as árvores ou nas mesinhas do café.






Mas o melhor do castelo certamente é a torre. Do alto se tem as melhores vistas de Liubliana. Claro que, pra chegar lá, tem que subir... um escada!



Mas não vou falar muito. Veja as fotos da vista:





...hehehe... ói eu aqui de novo!

Depois do castelo, desci ao centro histórico e caminhei sem rumo pelas ruas, principalmente pelos boulevards que margeiam o rio. A atmosfera é deliciosa. Pena que voltou a chover. Mas assim mesmo o passeio foi relaxante. Tirei muitas fotos. Veja só:




Repare no cavalete pendurado com um desenho. É uma forma de exposição de arte... coisas de Liubliana!




Essas caixas com cores diferentes são lixeiras para separação do lixo. A cidade se preza por manter alta qualidade de vida com ações práticas voltadas ao cuidado com o ambiente.




Quase fim da tarde, bateu a fome. A mesma amiga que me falou dessa cidade um dia fez para nós um prato típico em sua casa. Na verdade não é esloveno, mas é sérvio, o que é quase a mesma coisa, devido à proximidade e até a certa mistura dos dois povos. Tanto que existe em Liubliana um restaurante especializado no “civapcici”, que se pronuncia “tchiváptchitchi”.

Procurei o restaurante e foi lá que fiz a minha refeição. O prato nada mais é que um bolinho feito de carne de boi e de porco moídas juntas, bem temperados e assados, lembrando a “kafta” árabe. Servido com um pão típico, cebola picada e um molho à base de queijo... hummmm... com cerveja é divino!




O restaurante também valeu a pena. Bem no estilo "alternativo", parece ser ponto de encontro de jovens "descolados" na cidade. Há mesas normais e outras um pouco mais baixas, com banquetas e almofadas, justamente para propiciar um bate-papo em volta do civapcici... muito legal! Quando forem a Liubliana, procurem o Harambasha. Não é muito fácil de achar, mas com calma você encontra. Fica só a poucas quadras...




Depois de comer, voltei a caminhar, margeando o rio Liublianica até o centro histórico. Existem museus, igrejas, palácios, centros culturais, lojas, tudo isso em Liubliana. Mas nada supera caminhar pela cidade. É agradável, é calmo, é aconchegante.

Não sei se foi a familiaridade com o idioma, a simpatia das pessoas, a beleza despojada das construções à beira do rio ou simplesmente a chuvinha fina... só sei que me senti em casa em Liubliana.

Ah, já ia esquecendo... o símbolo da cidade é o dragão. Mas não pense que é porque foi um monstro que aterrorizou a cidade... Conta a lenda que era um dragãozinho brincalhão que não seguiu as ordens do dragão-pai, de aterrorizar os habitantes, e, em vez disso, começou a fazer piruetas no ar para entreter as pessoas... que bonitinho, né? Só mesmo em Liubliana!
Até hoje ele fica na chamada "Ponte do Dragão":



Quero voltar no verão e ainda conhecer o interior do páis, rico em história e atrações naturais, conforme divulgado em mapas e folhetos turísticos.

Liubliana, até breve!

Para sair de Liubliana farei uma viagem de trem noturno. A saída é às 2h30 da manhã, para chegar em Veneza cinco horas depois.

Amanhã eu conto como foi.

Até!
P.S.: Hoje, no dia que publico esse post, 26 de outubro, a Copel faz 55 anos. Não podia deixar de registrar... afinal, estou fazendo essa viagem graças ao emprego que tenho com ela... hehehe... espero que ela se mantenha firme e forte por muitos anos ainda!

7 comentários:

  1. Carolina C Hoffmann27 de out de 2009 09:37:00

    Ai, que delícia essa cidade!!!
    ;)
    Junior, vou sentir falta do seu blog quando vc voltar, está muito legal!
    Bjs.

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  2. Junior,
    Concordo com a Cá!
    Seu blog está demais, é como viajar junto com você! E as fotos estão ótimas!
    Aproveite!

    beijos

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  3. Mano,
    Pra Carol (a Caca... pq tem 2 nos comentários!!) não ficar com saudades do blog, fique aí!!! Quem sabe o dragão aparece.... já adulto.. rssss.
    Que cidade linda mesmo, aliás, cidades lindas. Eu já tinha escrito um comentário depois do prato de joelho de porco com repolho e chopp, aquele dos 3 mosqueteiros, o Pecenév, o eprové e o koleno, lá no post do 4º dia... (não eram Attos, Portos e Aramis???!!!!)... ok, ok, eu sei que tá escrito em praguês..... mas o comentário não gravou..... agora já esqueci muitas das piadas... grrrrrrrr!!!!!
    E que história é essa de levar o Mozart junto pra Viena e deixar o Ravel??
    Tchau S...go!! hehehe Nós também vamos pra Veneza.... ali em Santa Felicidade.... comer lazagna e polenta frita.... grrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr!!!!!! com bastante carboidrato (só pra te deixar com água na boca).
    Ira

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  4. Ah, não consegui matar a saudade! Só aumentou!!! Olhando pras fotos eu lembrei dos passeios que fiz com meu pai, meu tio e minha tia pela cidade. Ai QUE DELÍCIA! Obrigada, mais uma vez, por compartilhar e por ter aceito a minha sugestão. Beijão.

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  5. Ah Pai! Mas mesmo assim eu ganho, já comentei na maioria dos posts e ainda pretendo comentar nos outros.
    Então tio! Que cidade linda! Alguns traços da arquitetura me lembram Morretes. Eu sei, eu seiiii, comparação bem descabida, mas o restaurante na beira do rio ali é bem parecido com um que tem lá. E também, porque agora sempre lendo suas histórias vou traçando meu roteiro de viagem, que vai começar pelo Brasil (R$, claro), mais precisamente pelo Paraná. rs

    E eu concordo com a Cá, vou sentir falta dos seus post. Ler os que vc colocou recentemente dá mais impressão de realidade que os outros!

    Um beijo!!

    Ps. To esperando o post de amanhã. E vê se traz uma folha de outono daí pra mim, please. :) Só eu vou ter uma folha de outono importada da Europa! hahaha
    To falando sério heim.... :)

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  6. Nossa!! Essa cidade deve ter sido especial mesmo né...E o “tchiváptchitchi”, hummmm!!! Que saudades do nosso quinteto fantástico!!
    Agora...vc tem certeza que a bolsa e o sapato não tinham salvação??
    Deixa o Carlos saber disso...

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  7. Ai, ai! Que cidadezinha! Sua amiga tinha razão. Liubliana parece mesmo ser incrível!
    Você curte demais tudo e se entrega com o coração. Por isso suis viagens são fantásticas!
    Abraços,
    Denise

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