segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Auschwitz (8º Dia)

Interrompo a ordem cronológica da viagem. Pulei dois dias, mas prometo que depois eu publico. Eu apenas queria expressar de alguma forma o que estou sentindo agora.
Poderia escrever muito sobre esse dia. Hoje, segunda-feira, completei o oitavo dia de viagem. Mas não vou escrever muito.
A história do que aconteceu em Auschwitz todos conhecem ou ouviram falar.

O sofrimento ocorrido aqui, todos tentamos imaginar (e nunca conseguiremos).

Os objetivos de visitar um lugar como esse são íntimos e pessoais - mas acho que todos deveriam fazê-lo.
Sabe-se que cerca de 1 milhão e 100 mil pessoas foram assassinadas aqui em poucos anos.

Todos que passaram por aqui naquela época (não longínqua) eram pessoas.

Iguais a nós.

E o assustador é que não falo só dos prisioneiros.
Essa foi a minha maior dor e o que mais me impressionou.
Pessoas fizeram isso.
E fotos, documentos, relatos, tudo deixa isso muito claro.

Houve momentos da visita que precisei parar. Olhar para árvores ou pro céu azul que pela primeira vez apareceu nessa viagem.

Foi forte. Muito forte.

É isso. Fique agora com uma coleção de fotos. Tirei quase duzentas e tinha vontade de publicar todas. Tirei tudo com a máquina regulada para preto e branco. Achei que representava melhor.

Só coloquei legenda nas fotos que precisam de alguma explicação.

Essa é a rua que dá acesso. Agradável caminhada até chegar no local.

Aqui é a recepção de visitantes. Antes era o local da triagem dos prisioneiros. Pode-se agendar visitas guiadas ou andar sozinho. Preferi a segunda opção.

Apesar da multidão, ninguém fala alto. Nem os guias. Eles usam microfones auriculares e os grupos recebem fones de ouvido.

Portal de entrada. A inscrição em alemão "Arbeit macht frei" significa o trabalho liberta.



A placa da foto acima, logo na entrada, explica: havia uma orquestra aqui que tocava marchas enquanto os prisioneiros entravam ou saíam para o trabalho forçado. Mas não era para animá-los e sim para facilitar a contagem, pois eram obrigados a marchar conforme a música. Veja no detalhe abaixo.



Local de fuzilamento exemplar, na frente das filas de prisioneiros que chegavam.



Pequena amostra de sapatos. Aqui são só os de crianças.

Os "pijamas listrados".

Uma amostra dos óculos recolhidos dos prisioneiros.

Deixei colorida para visualizar melhor. Cerca de 7 toneladas de cabelo humano foram recolhidas pelos nazistas, que os vendiam para fazer tapetes. A foto não é muito clara, mas foi uma das mostras mais grotescas de toda a visita.

Na chegada, crianças que passavam por baixo de uma marca de altura eram desprezadas e iam direto para a câmara de gás.



Beliches. Dormiam mais de um em cada cama.

Beliches construídos com tijolo e forrados com feno.

Aqui aconteciam os enforcamentos de prisioneiros de guerra.

Ao fundo, o paredão de fuzilamento.

As grandes câmaras de gás ficavam distantes do campo. Aqui, só a primeira e menor.

Interior da câmara de gás, com um pequeno altar judaico.

Forno crematório.








Mantive colorida para mostrar como estava o dia...

...mas meu caminho de volta estava assim:


Obrigado por me deixarem compartilhar esse dia.



Até.

19 comentários:

  1. Poxa,
    não levei muita sorte na minha primeira visita ao seu blog. Há muito tempo queria entrar no seu blog, mas só hoje consegui.
    O Post é muito triste e com uma energia bem forte.
    Bom, cabe a nos entender que as pessoas cumprem seus objetivos e vão embora.

    No próximo quero ver coisas felizes!!!!

    Abraços.

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  2. Nos deixou sem palavras!!!!

    Por isso temos que lutar para que as coisas, as pessoas e o mundo melhor sejam possíveis.
    Volta logo!

    Carlos e Renata

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  3. Tenha certeza que tem 4 pessoas que gostariam muito de estar com vc neste dia. Abraço.

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  4. Nossa,fiquei sem palavras, paralizada... obrigada por compartilhar tudo isso conosco Junior. Pude sentir parte do que vc sentiu...
    Aliás, tudo no seu blog parace muito real, parece qe estamos aí com vc!!
    Beijos. Ca

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  5. Aclélio, já ouvi tristes relatos de quem visitou esse campo de concentração. As tuas imagens, porém, bonitas e melancólicas, ilustraram com perfeição os relatos. Triste pensar que seres humanos foram capazes de cometer tamanhas atrocidades contra seu semelhante... Um abraço.

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  6. Acho que é por essas coisas que viajamos: para voltar no tempo, seja nos dias bons ou ruins, para admirar realizações ou condenar atrocidades, para aprendermos com nossos erros e acertos.
    Claro que obras de arte e jantares gourmet são alegres e celebratórios dos nossos feitos como seres humanos. Todos adoramos isso! Mas são os momentos emocionais que marcam e nos fazem crescer.
    Parabéns Jr pelo post, obrigada pelas fotos e por compartilhar este momento emocional com a gente. Sinto como se um pedacinho de mim esteve ao teu lado.

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  7. Oi querido !!!
    Estou adorando "viajar com você" obrigada ...estou adorando a companhia hehehehe
    Somos energias mesmos pois o tempo pode passar mas as vibrações ficam impregnadas ...até

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  8. Aclélio
    Seu blog está demais!
    Como sempre muitos detalhes, emoção e cultura.
    Somente hoje estou escrvendo pq. não sabia que vc. tinha mandado o link.
    Um abraço,
    Denise

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  9. Oi Denise! Pois é, eu mandei o link, mas o teu email sempre volta. Pedi pra Lili encaminhar pra você, mas não sei se ela recebeu... Obrigado pela visita e, se der, confirme o teu email pra mim.

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  10. Nossa!realmente impressionante!!! vc nos faz viajar junto!! alem da imaginação!!!

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  11. NOSSA!
    Que revolta que eu to sentindo!
    "O trabalho liberta"??? Sem comentários...
    Tem um documentário que mostra esse campo, já viu? Não me recordo do nome. Daqueles produzidos pela HBO, que faz você soluçar o tempo todo, conhecendo o passado de refugiados.
    Triste, melancólico, presente, além da imaginação mesmo. Adorei o post, mas ao mesmo tempo odiei!

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  12. Bem disse a Marceli... revoltante. Outro dia vi um documentário na Discovery sobre essa época. No início não haviam os campos de extermínio, mas sim centenas de locais menores espalhados por todos os lados, onde grupos de pessoas eram assassinadas, locais públicos na frente de pessoas das comunidades locais. Sobreviventes, que eram crianças na época, relatam como acontecia. Depois os comandantes alemães decidiram criar os campos como Auschwitz e outros, porque eles viram que não havia "produtividade" nas matanças com armas de fogo, por isso criaram as câmaras de gás. Isso é dilacerantemente revoltante!!!
    Mas é pior ainda saber que a poucos anos algo semelhante aconteceu na antiga Ioguslávia, entre Sérvios, Croatas, Muçulmanos, etc.... em menor proporção, mas com igual desumanidade. Ou, ainda, em países africanos, mais recentemente ainda, entre etnias Tutsis e Utus... como mostra o filme Hotel Ruanda.
    Infelizmente alguns não aprenderam com a história.
    Felizmente muitos se importam, odeiam, abominam, revoltam-se com essas barbárie... mas como diz o poema do Menestrel... "...E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam…".

    É bom que esses locais sejam destinos turísticos.... pois assim divide-se a energia lá existente com mais pessoas, gente que se importa, acalentando a alma dos milhares que ali morreram.
    Ira

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  13. Mesmo não tendo palavras para comentar o que vimos e sentimos, as emoções estão aí. Para mim foi um caminho muito longo - demorei para achar a coragem.
    Uma coisa que me impressionou demais foi a humanidade e a sensibilidade com que o funcionário do escritório acolheu minha domanda por alguma informação que fosse sobre minha família. Ele me tratou como se a perda de minha família tivesse acontecido no dia anterior, e isso foi muito importante para mim.

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  14. Acho que quando passamos por uma situação desta o nosso referencial de dor e coragem mudam completamente. Estou me organizando para conhecer o lugar. Obrigada por dividir conosco o seu sentimento tão cru
    Mariana Avila

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  15. Desde quando você me falou do post até ter tomado coragem para ler e conferir as fotos demorou alguns dias.. até porque sei que uma parte da minha família passou por lá, por sorte a outra parte conseguiu fugir indo para o Brasil.. mas é uma dor que supera o inconsciente, que machuca mesmo sabendo que tantos anos se passaram.. não sei se vou ter coragem de visitar um dia, mas com certeza serve como um relato para que coisas assim não se repitam mais! Grande abraço e muita paz!
    Michel
    www.rodandopelomundo.com

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  16. Michel, obrigado pela visita. Lugares como esse certamente tem a função de não deixar a humanidade esquecer o que aconteceu e assim evitar repetir. Paz pra você também!

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  17. Sou judia, e me orgulho disso... Nunca tive coragem de visitar nenhum campo de concentração, pois os museus do Holocausto que já visitei me deixaram sempre com um grito de dor preso na gargante, e aalma em chamas de tristeza e indignação. Pq visitei ? Porque é fundamental lembrar sempre, é um modo de respeitar a memória dos que partiram de modo tão injusto, cruel e vil...
    Obrigada por postar as fotos de Auschwitz, e escrever sobre o mesmo com respeito e sensibilidade.
    Deixo uma frase que para mim simboliza sabiamente o q deve ter sido esse campo tão tenebroso : "Os alemães nos deixaram com algumas perguntas - seis milhões no mínimo"...
    A frase é do rabino Rabino Adin Even Israel Steinsaltz.
    Descobri seu blog hoje, por acaso, mas já o add em meus favoritos, pela qualidade, informação e organização do conteúdo.
    SHALOM !!!

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  18. Obrigado por sua visita e por seu comentário! Shalom!
    Abraço.

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