quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Viagem que não se esquece



É verdade. Não se esquece mesmo. Já vai fazer um ano e algum momento daquele fim de semana é lembrado cada vez que converso com os amigos que me acompanharam. Sim, foi só um fim de semana. Não. Na verdade foi um grande fim de semana.

Destino: Foz do Iguaçu, Paraná, Brasil. Data: 24, 25 e 26 de outubro de 2008.
Talvez seja importante esclarecer que nessa viagem eu fui o guia. Como trabalho com eventos no Paraná, Foz do Iguaçu é um dos destinos que acabo visitando pelo menos umas três ou quatro vezes por ano. Mas dos meus amigos, um tinha visitado a cidade há muito tempo e os demais não a conheciam.

Eu estava trabalhando em Foz durante aquela semana. Meus amigos chegaram na sexta-feira, por volta de quatro horas da tarde. O hotel foi escolhido mais pela comodidade do que pelas referências. Explico: o evento no qual eu trabalhava acontecia naquele hotel. Era o Hotel Foz do Iguaçu, bem no centro da cidade. Outrora reduto dos sacoleiros, hoje tenta sobreviver com diárias especiais para grupos e excursões. Mas não foi o hotel que tornou a viagem especial.

Logo na primeira noite programei um passeio até o Duty Free de Puerto Iguazu, apenas para conhecer, pois ninguém tinha intenção de comprar. Nem meia hora ficamos por lá. O principal era o jantar no "La Rueda", já no centro de Puerto Iguazu. Foi onde a mágica viagem realmente começou. Um delicioso bife de chorizo com molho chimichurri, cerveja Quilmes e uma conversa deliciosa.





Na volta, uma parada no Casino Iguazú apenas para conhecer. Bem... além de conhecer, ninguém é de ferro e brincar um pouquinho nos caça-níqueis faz parte do circuito obrigatório da tríplice fronteira. Dica: marque horário para parar, independente do que ganhou ou perdeu. Fica mais divertido, se é que você me entende...



A programação do segundo dia era extensa. Após o café reforçado, zarpamos direto para o "estudo sociológico" em Cidade do Leste, no lado paraguaio. De novo, só para conhecer, pois ninguém queria comprar nada. Parece loucura, mas todo mundo que vai a Foz um dia tem que atravessar a Ponte da Amizade. Nem que seja pra ver a "muvuca" de dentro da van e voltar. E olha que o dólar acima dos R$ 2 e o aperto na fiscalização deixaram o lugar muito mais "tranquilo"... se isso for possível.

Lá não tiramos fotos porque não é aconselhável levar objetos de valor... Mas não deixa de ser um bom lugar para comprar uma máquina nova. Incoerente, né? Não. É Ciudad del Este!

Por volta de meio-dia a van nos deixou de volta no hotel. Rápido descanso, saímos com o carro, paramos para um lanche rápido partimos para começar a explorar a grande estrela da fronteira: o Parque das Cataratas. No sábado exploramos o lado argentino que os "hermanos" dizem ser melhor e os brasileiros concordam, justamente porque é de lá que se tem a melhor vista do lado brasileiro... Rivalidade à parte, o que interessa agora é falar do que sentimos.

Compramos os bilhetes (dica: o parque só aceita Pesos Argentinos, mas você pode trocar comprando alguma coisa na lanchonete), entramos, pegamos o trenzinho até o início da passarela que dá acesso à Garganta do Diabo e perdemos a respiração.



A visão que se tem ao chegar no mirante da Garganta do Diabo faz qualquer um se emocionar. Nós não queríamos ir embora. Os grupos de turistas chegavam e saíam e nós permanecíamos lá. Curtíamos a vista, sentíamos a brisa molhada, fotos, exclamações, silêncio. Sim, ouvir o estrondoso ruído das águas do Iguaçu é um presente que deve ser recebido sem tentar explicar com palavras soltas, pois nenhum som de nenhuma palavra pode competir. É mágico!





Embasbacados(!) pela paisagem, pelo astral, pela natureza, caminhamos um pouco mais e voltamos para o hotel, quase anoitecendo. Um banho e saímos para jantar. Escolhi o "Chef Lopes", em Foz, que serve um bife de chorizo no mesmo nível do servido no lado argentino. Uma coroação perfeita para um dia perfeito. Veja só alguns dos pratos:









Não precisa dizer que o dia seguinte seria ainda mais cheio. Esqueci de mencionar que compramos o Passaporte Destino Iguassu, uma espécie de pacote de passeios que na somatória acaba dando uma tremenda vantagem! Já tinhamos usado o passeio ao Duty Free e ao Paraguai. Tínhamos agora o Parque das Aves e o lado brasileiro das cataratas, com suas atrações especiais.

E o domingo amanheceu com um pouco de chuva. Fábio e Nancy acordaram com uma gripe violenta. Tudo era sinal para cancelarmos pelo menos parte do programa. E foi exatamente o que NÃO fizemos!

Os dois disseram, em outras palavras, que "quem está na chuva é pra se molhar" e não iam deixar de fazer nada que nós fizéssemos. Pois bem! Após o café fomos direto para o Parque das Aves, mais uma atração imperdível da cidade. O parque é uma espécie de jardim zoológico só para aves, de todas as espécies e origens. Há ênfase, é claro, para a fauna brasileira, mas "estrangeiros" magníficos como os flamingos estão lá também.





E o mais legal do parque é a reconstituição dos habitats naturais em viveiros imensos dentro dos quais você passeia, sem nenhuma tela ou grade entre você e as aves. Dá pra coçar a cabeça de um tucano ou se assustar com rasantes (quase violentos) das araras azuis. Saímos todos encantados!



O Parque das Aves fica a poucos metros da entrada do Parque Nacional das Cataratas, onde se deixa o carro e embarca no ônibus de dois andares que faz o percurso até as cataratas. No caminho, porém, outras atrações estão disponíveis e nós tínhamos ingressos para o Macuco Safari.

Era essa parte do passeio que eu achei que os dois gripados não participariam. Não tem como fazer o Macuco sem se molhar muito. Nada fica seco, mesmo que use capas de chuva. Para ajudar, a chuva engrossou. Mas os heróis não se intimidaram. E o passeio foi alucinante! Muita água, muita adrenalina, muitos gritos e... muita alegria! Especial, como tinha de ser. Não tiramos foto durante o safari, mas na volta, olha só o nosso estado:



E aqui uma foto do barco, lá em baixo...



Depois do Macuco, trocamos de roupa no vestiário disponível (não se pode esquecer de levar uma muda de roupa completa!) e pegamos o ônibus rumo às cataratas. Antes de fazer as trilhas, almoçamos no restaurante Porto Canoas, construído praticamente sobre as águas do Iguaçu, na parte de cima das quedas. Um bufê variadíssimo num ambiente muito agradável.

Bem alimentados, voltamos a caminhar. Na descida da trilha cada curva reserva uma nova visão das quedas. A mágica sensação que se experimenta na passarela do lado argentino é agora substituída pelo deslumbramento. Fotos, fotos de todos os ângulos e posições. Mirantes escondidos entre a mata viram estações de contemplação da natureza.





Perto do fim da trilha entra-se na passarela sobre as águas até bem perto da entrada da Garganta do Diabo, agora vista de baixo para cima. A sensação é de novo especial. O que se viu lá de cima, no lado argentino, agora despenca quase sobre nossas cabeças num gigantesco e barulhento circuito interminável.



Encerramos a trilha subindo pelo elevador até o mirante localizado bem ao lado das quedas. Mais fotos. Cansados, nossos corpos não traduziam a euforia que sentíamos. Mais uma vez, não queríamos ir embora.



Mas o dia se encerrava e com ele o fim de semana especial e inesquecível. Fizemos uma parada no hotel e logo saímos para o jantar de despedida. Fomos ao Bar Capitão, pois a vontade de conversar era maior que a fome e um chopp seria o ideal. Foi um grande fim de semana, sem dúvida. Uma combinação perfeita de destino turístico, programação agradável e companhia inestimável!

Assim, um brinde fechou o fim de semana com duas certezas: a de que não esqueceríamos daquela viagem e de que voltaríamos a nos encontrar em outros lugares, não com as mesmas sensações, mas com certeza tão mágicas e intensas quanto aquelas.

Um dia perfeito em Londres

Pois é. Gosto de viajar, gosto de escrever, gosto de contar as viagens. Então por que demoro tanto para voltar aqui e escrever? Preciso de disciplina...
Mas apesar do "auto-desabafo", não garanto ainda que os posts serão mais freqüentes. Até por isso não divulgo muito o blog. Não tem nada mais frustrante do que entrar num blog e descobrir que ele não é atualizado constantemente.

Mas vamos aproveitar que eu estou escrevendo e contar um pouco mais de viagens realizadas. Até agora praticamente só escrevi sobre a última incursão na Europa, e mesmo assim não concluí os relatos.

Essa viagem aconteceu em agosto de 2008, quando fui do Brasil para Paris, passei uma semana em Edimburgo na Escócia, uma semana com a minha sobrinha Soraia rodando por alguns lugares do Reino Unido, tais como Liverpool e Stonehenge e finalizei com alguns dias em Londres e outros em Paris antes de embarcar de volta.

Pois bem! Descrevo aqui um dia perfeito em Londres. Foi um dia marcado por passeios a pé. Saí caminhando à procura de um café da manhã típico e pertinho da Trafalgar Square achei um "boteco" que servia o "english breakfast". Comi ovos fritos, salsichas, bacon, torradas e... feijão! Uma bela refeição para agüentar um dia de caminhada.



Depois do café, segui caminhando a fim de encontrar a London Eye. Minha intenção era aproveitar o primeiro dia na cidade para vê-la de cima. Não precisei andar muito e logo cheguei na margem do Tâmisa, pertinho da "gigante roda gigante".





Gigante também era a fila... apesar de ser ainda 10 da manhã, o público já era grande. Aqui tomei uma daquelas atitudes esnobes que custam um pouco mais mas fazem bem ao ego...



Comprei o bilhete preferencial, que dava direito a furar fila. Nesse caso, fez bem pro meu tempo também, pois 3 dias em Londres é realmente muito pouco. Por 25 libras entrei quase direto. A fila tinha pouco mais de 30 pessoas e, como entram cerca de 20 por gôndola, rapidinho eu estava iniciando minha viagem.
London Eye é uma experiência imperdível. Esqueça as rodas gigantes da infância. A gôndola aqui é na verdade um bondinho, maior do que aqueles do Pão de Açúcar. Tem um banco no meio, mas ninguém quer ficar sentado. Cada volta você quer olhar para um lado da cidade e tentar identificar onde andou ou onde pretende andar, como no meu caso. Big Ben, Catedral de Saint Paul, Museu Britânico, tudo está lá, pertinho...





Sem dúvida, recomendo iniciar qualquer viagem a Londres por aqui. Quando voltar, acho que vou fazer de novo...
Depois da London Eye, saí andando pela margem direita do Tâmisa, até chegar em mais uma área cultural da cidade. Passei pela Tate Modern Gallery e fui direto ao Globe Theatre, objetivo desta etapa de caminhada.

O Globe é a reconstrução fiel do teatro usado por Shakespeare na sua época. Era aqui que o bardo estreava suas obras recebendo os aplausos e as vaias de uma platéia sedenta por diversão.



Admito: eu ficaria dias aqui só imaginando Shakespeare andando por aqui, atuando, escrevendo... esse é o meu mundo!
Não fiz a visita guiada porque pretendia assistir um espetáculo e queria antes me informar a respeito. Na bilheteria comprei logo o ingresso para assistir "Timão de Atenas", uma das tragédias do bardo inglês. Aproveitei o tempo de espera para conhecer a lojinha do teatro (muita coisa interessante!) e fiz um lanche delicioso no café.
A emoção de entrar no "Globe", mesmo que seja uma reconstrução, foi para mim um dos momentos mágicos daquela viagem. E ficará marcada na minha memória. O ambiente é rústico, os bancos são de madeira e o palco é... lindo!





A peça durou cerca de 3 horas e, não fosse uma senhora um pouco inquieta ao meu lado, eu nem teria sentido o tempo passar. Felizmente comprei ingresso para as frisas, de onde se assiste sentado. O meio do teatro é para o público que assiste em pé. O pitoresco do fato é que ninguém pode se sentar no chão ou mesmo se encostar nas pilastras. Isso mesmo! Fiscais do teatro pedem gentilmente que as pessoas se levantem ou desencostem... gostei!





De alma lavada e o coração leve como a pena que o bardo usava para traçar obras primas, saí do teatro e caminhei. Atravessei o Tâmisa pela Ponte do Milênio, sem saber pra que lado olhar. De um lado, a Tate Gallery. Do outro, a cúpula imponente da Catedral de São Paulo. No meio, vistas do Parlamento ou do centro financeiro de Londres. Um belo passeio para fechar o dia.







Mas não encerrei o dia com esse passeio. No caminho do hotel passei pelo teatro onde acontecem as apresentações do musical "O Rei Leão". Não resisti. Comprei o ingresso para aquela mesma noite. Corri para o hotel, tomei um banho, troquei de roupa e voltei ao teatro. Essa é a imensa vantagem de escolher cuidadosamente a localização do hotel...



Tá bom... acho que serei repetitivo, mas não resisto: foi mágico! A produção do Rei Leão é deliciosa. As músicas que ficaram tão famosas na versão em desenho animado vistas ao vivo ganham ainda mais força e vibração. Os cenários, figurinos, tudo foi perfeito!



Ao sair do teatro, já perto das onze da noite, poucos restaurantes estavam abertos no caminho. Essa é uma característica da Europa. Deve-se jantar antes do teatro. Depois, você vai a bares e clubes noturnos. Mas não era o meu caso... e a fome? Terminar um dia perfeito num "fast food"? Não! A poucas quadras do hotel havia um restaurante tailandês. E estava aberto! E foi divino!

O ambiente...


O prato principal...


...e a sobremesa!


Assim foi um dia perfeito em Londres. Se fosse pra repetir, não pensaria duas vezes. E o melhor de tudo: eu só tinha planejado o "Globe Theatre"...
Até a próxima e boa viagem!